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domingo, 11 de julho de 2010

Convivência - Um desafio diário

Quem namora, é casado ou vive junto sabe que há dias em que a vontade é de engarrafar a pessoa amada e jogá-la em alto mar, à própria sorte, tamanha é a raiva espontânea que, as vêzes, a convivência provoca.

Como é complicada a convivência no dia a dia, onde um "bom dia" atravessado pode detonar um dia de cão. A cueca pendurada no chuveiro pode ser a gota d'agua para uma briga sem fim. Aquela regra básica de que a liberdade de um termina onde começa a do outro é muitas vezes esquecida, já que tudo flutua sobre tipos de personalidade e temperamentos.


Ser acordado as 9h da manhã, quando seus planos eram de dormir até as 3h horas da tarde acaba com o dia de qualquer um.

Mas se aceitarmos as diferenças do outro, se respeitarmos o espaço do outro, e amarmos o outro mesmo cheio de defeitos, teremos um relacionamento saudável, porque o maior erro que cometemos é exigir que o outro seja como nós queremos, e isso não acontece. Cada um é cada um, temos vontade própria e desejamos coisas diferentes.

O principal numa relação, muito mais até que o amor, é saber entender que cada um tem seu espaço. A convivência com as diferenças, neuroses, manias do outro nos lapida como seres humanos além, é claro, de enriquecer a parceria.

terça-feira, 6 de julho de 2010

O Caralho


GREGÓRIO DE MATOS nasceu na Bahia aos 23 de dezembro de 1623. Oriundo de uma família portuguesa abastada, que fez fortuna depois de deixar a Corte para colonizar as terras hoje chamadas Brasil, ele é conhecido como Boca do Inferno por conta das suas sátiras ferinas e virulentas, sempre prontas a atacar os poderosos, os dogmas, os moralistas e os “bons costumes” da velha Cidade da Bahia. Por essa razão, sua obra, em especial sua poesia satírica, é considerada até hoje como uma das mais rebeldes e malditas da literatura brasileira. As décimas abaixo foram escritas para explicar o que vem a ser um tal de caralho para uma freira que ele desejava arrastar para as delícias do paraíso. Há quem diga que o poeta tinha um fraco por hábitos. O que não se sabe é se a tal freirinha lhe fez essa pergunta por pura ingenuidade, afinal, sua condição exigia dela total comedimento, ou por uma lúbrica troça de santa do pau oco.


A UMAS FREIRAS QUE MANDARAM PERGUNTAR POR OCIOSIDADE AO POETA A DEFINIÇÃO DO PRÍAPO E ELE LHES MANDOU DEFINIDO, E EXPLICANDO NESTAS.


DÉCIMAS


1


Ei-lo vai desenfreado,
que quebrou na briga o freio,
todo vai de sangue cheio,
todo vai ensangüentado:
meteu-se na briga armado,
como quem nada receia
foi dar um golpe na veia,
deu outro também em si,
bem merece estar assi [assim],
quem se mete em casa alheia.


2


Inda que pareça nova,
Senhora, a comparação,
É semelhante ao Furão [mamífero usado em caçadas para tirar coelhos das tocas],
que entra sem temer a cova:
quer faça calma, quer chova,
nunca receia as estradas,
mas antes se estão tapadas,
para as poder penetrar,
começa de pelejar
como porco às focinhadas.


3


Este lampreão [pênis em ereção ou com orgasmo] com talo,
que tudo come sem nojo,
tem pesos como relojo [relógio],
também serve de badalo:
tem freio como cavalo,
e como frade capelo,
é cousa engraçada vê-lo
ora curto, ora comprido,
anda de peles vestido
curtidas já sem cabelo.


4


Quem seu preço não entende,
não dará por ele nada,
é como cobra enroscada,
que em aquecendo se estende:
é círio, quando se acende,
é relógio, que não mente,
é pepino de semente,
tem cano como funil,
é pau para tamboril,
bate os couros lindamente.


5


É grande mergulhador,
e jamais perdeu o nado,
antes quando mergulhado
sente então gosto maior:
traz cascavéis como Assor [divindade babilônica que vigiava a Grande Serpente],
e como tal se mantém
de carne crua também,
estando sempre a comer,
ninguém Ihe ouvirá dizer,
esta carne falta tem.


6


Se se agasta, quebra as trelas
como leão assanhado,
tendo um só olho, e vazado,
tudo acerta às palpadelas:
amassa tendo gamelas
doze vezes sem cansar,
e traz já para amassar
as costas tão bem dispostas,
que traz envolto nas costas
fermento de levedar.


7


Tanto tem de mais valia,
quanto tem de teso, e relho,
é semelhante ao coelho,
que somente em cova cria:
quer de noite, quer de dia,
se tem pasto, sempre come,
o comer Ihe acende a fome,
mas às vezes de cansado
de prazer inteiriçado
dentro em si se esconde, e some.


8


Está sempre soluçando
como triste solitário,
mas se avista seu contrário,
fica como o barco arfando:
quer fique duro, quer brando,
tem tal natureza, e casta,
que no instante, em que se agasta,
(qual Galgo, que a Lebre vê)
dá com tanta força, que,
os que tem presos, arrasta.


9


Tem uma contínua fome,
e sempre para comer
está pronto, e é de crer,
que em qualquer das horas come:
traz por geração seu nome,
que por fim hei de explicar,
e também posso afirmar,
que sendo tão esfaimado,
dá leite como um danado,
a quem o quer ordenhar.


10


É da condição de Ouriço,
que quando lhe tocam, se arma,
ergue-se em tocando alarma,
como cavalo castiço:
é mais longo, que roliço,
de condição mui travessa,
direi, porque não me esqueça,
que é criado nas cavernas,
e que somente entre as pernas
gosta de ter a cabeça.


11


É bem feito pelas costas,
que parece uma banana,
com que as mulheres engana
trazendo-as bem descompostas:
nem boas, nem más respostas
Ihe ouviram dizer jamais,
porém causa efeitos tais,
que quem exprimenta [experimenta], os sabe,
quando na língua não cabe
a conta dos seus sinais.


12


É pincel, que cem mil vezes
mais que os outros pincéis val [vale],
porque dura sempre a cal,
com que caia, nove meses:
este faz haver Meneses,
Almadas, e Vasconcelos,
Rochas, Farias, e Teles,
Coelhos, Britos, Pereiras,
Sousas, e Castros, e Meiras,
Lancastros, Coutinhos, Melos.


13


Este, Senhora, a quem sigo,
de tão raras condições,
é caralho de culhões
das mulheres muito amigo:
se o tomais na mão, vos digo,
que haveis de achá-lo sisudo;
mas sorumbático, e mudo,
sem que vos diga, o que quer,
vos haveis de oferecer
a seu serviço contudo.

A poesia é sugestão do amigo Rafael de Poá (SP).

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Banheiro Masculino

O banheiro público virou um campo minado para os rapazes. Um gesto involuntário, um olhar enviesado ou a simples demora em urinar, tudo corre o risco de ser interpretado como uma abordagem sexual.


Confira algumas dicas para evitar o vexame de ser pego com a boca na botija ou com a botija na boca.
- Evite "estacionar" no mictório. Passar muito tempo segurando o dito-cujo é o primeiro sinal de outras intenções no banheiro.  

- Não desperdice água com sucessivas descargas fingindo uma crônica incontinência urinária. Nem demore séculos lavando as mãos, olhando pelo espelho quem está no mictório. Os rios da cidade agradecem.

- Para evitar riscos no banheiro do seu trabalho, prefira ocupar o reservado. Mas não ponha seu pé nem a cabeça por debaixo da divisória. Nada de passar o espelhinho por baixo para conferir os paus ao lado.

- Mire só a parede em frente ao mictório, com o olhar de um peixe morto e os lábios cerrados. Evite respiração ofegante. Junte bem as pernas, como uma bailarina. Evite colocar tudo para fora da braguilha. No final, não faça barulho ao balançar sua genitália.

- Evite visitar os banheiros de todos os andares do shopping em menos de 30 minutos. Sua mania de querer demarcar território, como um gato, pode ser flagrada por câmeras e ser confundida como roteiro de pegação.

- Nada de se distrair riscando mensagens nas portas dos reservados, descrevendo suas preferências sexuais ou indicando número do celular, e-mail e MSN. Não faça buracos nas portas com canivetes.

- Nunca suba no vaso para espiar sobre a divisória. Há o perigo de o assento quebrar e você sujar aquele seu tênis caríssimo e a barra de seu jeans, além do risco de acidente com louças sanitárias que causam ferimentos graves.

- No reservado, evite se ajoelhar entre o vaso sanitário e a divisória. O espaço costuma ser pequeno, e você corre o risco de ficar entalado, sendo obrigado a gritar por ajuda ou quebrar uma das costelas para sair.

- Nunca, mas nunca mesmo, use o reservado dos deficientes físicos. É um lugar espaçoso, as barras são ótimas, mas você está usurpando um direito alheio. Também não fique na porta do banheiro escolhendo vítimas.

- Banheiro não é camarim. Evite levar sua completíssima nécessaire para espremer calo, molhar o cabelo, retocar o topete, trocar o perfume, o desodorante ou passar o fio dental.

- Se não der pra aguentar o tesão e você resolver atacar os usuários dos mictórios, observe se não há nenhum espertinho gravando a sua ação com um celular. Já pensou sua carinha na internet para o mundo todo ver?

- Cuidado ao levar sua vítima para o reservado. Há quem se dê o trabalho de ficar gravando os desavisados por cima da parede do box, como mostram os vídeos abaixo, gravados por um desses felizardos, no banheiro da Rodoferroviária de Curitiba.

Vídeo gravado no banheiro da rodoferroviária de Curitiba

Continuação

domingo, 27 de junho de 2010

Procuro um namorado, lindo, fiel e tarado




Calma, não estou à procura. Isso foi o título de um anúncio que vi num site e que usei para meu post inaugural aqui no Papo. :)

Hj recebi um "convite", por e-mail, para conhecer um novo site de encontros. Confesso que não tenho muita paciência com esses serviços mas entrei, por curiosidade, e logo nos três primeiros anúncios me deparei com textos que diziam, basicamente, a mesma coisa. Mas me chamou atenção um que dizia o seguinte:

"QUERO UM NAMORADO! PRECISO SER AMADO! Sou versátil, pauzudo, descomplicado e procuro uma pessoa com as mesmas características. Não a orientais, gordos, negros, passivos e pouco dotados. Nada contra, mas odeio pessoas com essas características. Não me dão tesão."

Mas peraí... Somente estas características bastam para se achar um namorado? O cara não era versátil?? Ahã! Me engana que eu gosto! Pauzudo? Todo mundo é, na net. E me parece que pelas exigências, a exclusão de alguém pouco dotado mostra que o cara não é tão versátil assim. Encontrar alguém descomplicado é o sonho de consumo de todos nós. Será que é utopia? Acho que sim, afinal acho que o anunciante procura exatamente o seu oposto.
Converso com várias pessoas no MSN e o que eu leio são sempre as mesmas reclamações: "Não aguento mais ficar sozinho./ Preciso de um namorado./ Quero ser amado./Quero me apaixonar."
Mas talvez o erro esteja em justamente fantasiar demais. Em procurar pela pessoa ideal e esquecer de olhar a pessoa real, que pode não ser pauzudo, mas pode ser descomplicado, carinhoso, romantico e um furacão na cama.

Existem homens que são mais elaborados na sua vida sexual e conseguem não dissociar amor de sexo. Mas existem homens que ainda estão num nível no qual só conseguem enxergar uma boa bunda, ou um belo pau. É o pau deles com aquela bunda. Ou vice-versa. Acho, inclusive, que as publicações, sites, filmes, programas de tv, tendem um pouco demais para isso. Acabam pegando um cacoete hétero que é essa coisa de olhar xoxota e bunda de mulher e começam a mostrar tb o pau e bunda de homem. Vira uma coisificação do sexo. O sexo passa a ser açougue e deixa de ser envolvimento.

Como seria bom se pudéssemos mudar essa mentalidade e fazer as pessoas entenderem, através das nossas atitudes, que homossexual tb ama, gosta de namorar, casar, é romântico e tem suas fantasias. Tenho certeza de que as pessoas também perderiam muito o preconceito e talvez os que procuram namorados mudem tb o seu discurso.
Mas parece que isso tudo é mais forte que nós.